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Centenário de Leonid Teliga

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Centenário de Leonid Teliga

Centenário de Leonid Teliga

Enfrentar o mar aberto numa viagem solitária ao redor da Terra! Da primeira circum-navegação solo, concluída em 1898 pelo marinheiro norte americano Joshua Slocum, aos dias atuais, aproximadamente 70 velejadores tiveram êxitos na perigosa aventura. Na restrita lista, lê-se o nome de Leonid Teliga, o primeiro polonês a realizar a volta ao globo sozinho numa embarcação. Lembrando o centenário de seu nascimento, Diário de Bordo abre um espaço em homenagem aos intrépidos velejadores solitários.

O velejador polonês Leonid Teliga (1917-1970) a bordo do iate ‘Opty’

Um combatente da II Guerra Mundial

Leonid Teliga foi um velejador, escritor, jornalista e tradutor, reconhecido como o primeiro polonês a empreender uma viagem solitária de circum-navegação do globo terrestre, façanha realizada a bordo do late ‘Opty”.

Teliga nasceu em 28 de maio de 1917, em Viazma, em pleno declínio do Império Russo. Apesar de ter nascido na Rússia, seus pais resolveram retornar à Polônia quando o país reconquistou sua independência. Criado em Grodzisk Mazowiecki, após fracassar no ingresso em medicina, resolveu frequentar a academia militar, concluindo em 1937 um curso de iatismo em Jastarnia, no norte da Polônia.
Durante setembro de 1939, com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista, Teliga lutou no 44o Regimento de Infantaria, sendo ferido na Batalha de Tomaszów Mazowiecki. Em 1940, em Azov, Rússia, completou um curso de capitão-amador e tornou-se pescador. Eventualmente, tomava parte na evacuação dos portos da Criméia. Em 1942, uniu-se ao recém-formado Exército Polonês, com o qual chegou à Grá-Bretanha. Depois de concluído um curso de navegação no Canadá, lutou no 300° Esquadrão Polonês como artilheiro. Teliga retornou à Polônia em 1947, aproveitando todas as ocasiões para voltar ao mar, às vezes como capitão ou instrutor de vela, mais tarde como jornalista. Nas décadas de 50 e 60, publicou várias histórias curtas e romances baseados em suas várias viagens. Em 1957, partiu para a Coréia do Norte para participar dos trabalhos da Comissão de Armistício da ONU.


Circum-navegação da Terra


O late ‘Opty’ era um yawl, denominação de um tipo de veleiro de dois mastros, o principal e o de mezena, este último o menor, o mastro principal equipado com duas velas. A embarcação foi projetada pelo engenheiro Leon Tumiłowicz, baseado em sua construção anterior, a Classe ‘Tuńczyk”, mas modificada de modo que se ajustasse melhor à tarefa de uma viagem de cruzeiro longa e solitária. O antecessor da Classe ‘Tuńczyk’, o tipo “Konik Morski”, foi a primeira construção naval de alto-mar polonesa, projetada antes de 1936. A construção do ‘Opty’ começou em janeiro de 1966 e terminou em outubro. Apesar de ter
recebido algum apoio da Associação Polonesa de late e de outras fontes, Teliga financiou a construção principalmente com recursos próprios. Mesmo que os mastros e as retrancas fossem de madeira, o iate era muito bem equipado, possuindo uma jangada pneumática, um bote plástico para facilitar a comunicação com a costa e um variado jogo de velas para cada tipo de vento.
Depois de ter transportado o ‘Opty’ para Casablanca, no Marrocos, Teliga iniciou sua jornada em 25 de janeiro de 1967, velejando rumo ao oeste. Durante o cruzeiro, visitou as ilhas Canárias, cruzou o Atlântico, alcançou as Pequenas Antilhas, o Canal do Panamá, as ilhas Galápagos e, na Polinésia Francesa, as Ilhas Marquesas, Taiti e Bora Bora. De Fiji, na Oceania, navegou diretamente a Dakar, no Senegal. No Panamá, a viagem atrasou em onze dias, pois o velejador teve de convencer a administração do Canal a deixa-lo passar. Provavelmente, esta foi a razão para Teliga riscar a Austrália da rota e fazer o caminho final da circum-navegação sem qualquer desembarque, visto que ao não conseguir o visto australiano, esperava encontrar os mesmos obstáculos enfrentados no Panamá.

A rota seguida por Leonid Teliga, em sua viagem de circum-navegação do globo terrestre, de 25 de janeiro de 1967 a 29 de abril de 1969

Durante sua jornada, Teliga tornou-se razoavelmente conhecido, sendo admitido como membro honorário de diversos yacht clubs. Em quase todos os portos, o velejador recebeu uma acolhedora hospitalidade, encontrando compatriotas na maioria deles.
Ao atravessar sem paradas a rota Fiji-Dakar em 165 dias, Teliga bateu o recorde mundial de Bernard Gilboy, que navegou sozinho por 163 dias na tentativa de atravessar o Oceano Pacífico. Entretanto, quando o polonês desembarcou em Dakar, em 9 de janeiro de 1969, o britânico Robin Knox-Johnston já estava no mar por 210 dias, em sua famosa viagem de circum-navegação.
Leonid Teliga completou a viagem de circum-navegação em 29 de abril de 1969, após 2 anos, 3 meses e 4 dias de sua partida em Casablanca.

A profusa barba de Leonid Teliga, cultivada em sua viagem solitária de circum-navegação da Terra

Morte


A proeza marítima de Leonid Teliga pareceu uma gloriosa despedida de uma vida plena de ação e aventuras. Ao concluir a circum-navegação, o velejador teve um rápido agravamento de um câncer, sendo transportado de avião de Casablanca de volta para a Polônia. Mesmo passando por uma intervenção cirúrgica, Teliga faleceu em 21 de maio de 1970, em Varsóvia, aos 52 anos de idade.
Seu nome figura hoje na seleta galeria dos maiores velejadores da História.

Sepultura de Leonid Teliga, no Cemitério Militar de Powązki, em Varsóvia

Abaixo, selo polonês alusivo à viagem de circum-navegação do globo, c. 1969

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